O que é CONHECIMENTO?

Eva e a árvore da ciência, Paul Gauguin, em 1889
Uma das duas árvores plantadas no centro do Jardim do Éden era a árvore do conhecimento do bem e do mal, porém, mais do propriamente que um vegetal, esta árvore foi o artifício literário que apresentou o pecado que privou o homem da sua estada neste harmonioso jardim. Foi destacada dentre as demais como uma proibição-provação com risco de morte, e deve o seu nome e seu efeito à reflexão teológica que Israel fazia, naquela época, sobre a
experiência amarga do pecado. Significava um tipo de conhecimento que o homem não tinha quando no seu estado original, mas que adquiriu através da sua ação pecaminosa. Ao mesmo tempo, é um tipo de conhecimento reservado a Deus, mas que uma vez adquirido, torna o homem o responsável direto por decisões, que na harmonia do Éden não se faziam necessárias.

A narrativa não se refere ao despertar da inteligência para a sobrevivência ou da consciência moral, pois estas, supõe-se que ele as possuía antes de pecar. Também não se pode dizer que o homem, pelo seu pecado, tenha adquirido, para si e para a sua posteridade, uma espécie de oniciência divina. Na verdade, o bem e o mal é uma expressão que abrange os dois extremos do conhecimento, podendo significar qualquer coisa ou absolutamente nada. De noite, porém, veio Deus a Labão, o arameu, em sonhos, e lhe disse: Guarda-te, não fales a Jacó nem bem nem mal. (Gn 31,24) Mas normalmente se refere a um conhecimento que traz discernimento entre os dois lados.

Mesmo tendo adquirido tal conhecimento, o home não pode arbitrariamente fazer o que bem entender, pois está capacitado a estabelecer normas que regulamentam o que é bem e o que é mal, e incorre no pecado da arrogância aquele que faz um mau arbítrio entre ambos. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; lancei-te por terra, diante dos reis te pus, para que te contemplem. (Ez 28.17) A arrogância do querer ser Deus é a essência do pecado chamado original, que de uma forma explícita brotou na índole pecaminosa da natureza humana.

A narrativa bíblica sobre o paraíso serve para exprimir a consciência moral e religiosa de Israel, embora empregue materiais da imaginação popular e efeitos mágicos. A função da arvore, assim como o seu nome, podem ser explicadas de várias maneiras, dependendo do ponto de partida, mas nem por isso deve se criar a expectativa de se chegar a uma síntese perfeita, pois nem mesmo a própria narrativa se deu por finalizada.

Várias são as espécies que se prestaram para identificá-la. Algumas tradições dizem ser a parreira, outras a oliveira, os gregos pensavam ser uma figueira, mas foram os autores latinos que mais elaboradamente, o que não quer dizer corretamente, apresentaram a sua sugestão. Com base em Cantares 8.5b, que na versão da vulgata diz: Sob a macieira te despertei, aí onde a tua mãe te deu à luz com dores de parto; e ainda através do jogo das palavras malum, que significa mal, e malus, que quer dizer macieira, evoluiu a sua tese.

Segundo Paulo, a decisão entre o bem o mal não é uma escolha simples, pois o bem que ele queria fazer, não conseguia, mas o mal que não queria, este estava sempre diante dele. A leitura do capítulo 7 da Carta aos Romanos pode nos dar uma visão mais profunda e mais contextualizada do conhecimento do bem e do mal no conceito de liberdade cristã. Somente depois que li este texto pude entender o quanto a graça de Deus extrapola todo conhecimento, e o quanto ela está acima dos nossos conceitos rudimentares de bem e de mal. 

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