O que é LUZ?

Criação do mundo, Fenand Léger (1881-1955)
A palavra luz encontra-se nas Escrituras usada em diversos sentidos.

A luz natural é aquela que foi chamada à existência no primeiro dia da criação. O consenso de que ela provém de Deus é quase uma unanimidade na Bíblia. Apenas o questionador livro de Jó levanta dúvidas quanto à
sua origem: Onde está o caminho para a morada da luz? E, quanto às trevas, onde é o seu lugar? (Job 38.19) Esta luz que é criada no princípio é identificada como dia tem uma existência independente do Sol, porque, na sua lógica, ela acontece antes da sua aparição no céu. Contudo, está de certa forma relacionada ao dia, pois é este luzeiro quem o anuncia. Para os antigos a luz da aurora tinha um valor especial, ela é o anseio maior do homem que trabalha, que vigia e que está aflito. Mas há na Bíblia alusões ao benefício da luz das estrelas, que por ela são chamadas de luzes: Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite. (Pv 31.18)

A luz natural também está associada a simbolismos. A simples faculdade de perceber a luz é um bem sumamente estimado, sem este dom o homem ficaria na escuridão perpétua. Como o ventre materno significa de certa forma a escuridão, nascer é receber a luz, que neste caso é identificada com a própria vida: Deus redimiu a minha alma de ir para a cova; e a minha vida verá a luz. (Job 33.28). Apagar a luz de alguém pode significar tanto escurecer a sua casa quanto tirar-lhe a vida: A luz dos justos brilha intensamente, mas a lâmpada dos perversos se apagará. (Pv 13.9). A escuridão era sinônimo de calamidade, justamente o oposto da luz, que representa a proteção, especialmente da parte de Deus: O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? (Sl 27.1) Por tudo isso a luz se tornou o elemento da salvação messiânica: O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz. (Is 9.2)

A luz também é parte das descrições das manifestações de Deus, pois a sua glória irradia um esplendor brilhante. As suas epifanias também são descritas como fenômenos luminosos como o raio. A presença de Deus não somente ilumina como também faz resplandecer aqueles que a contemplam. Até mesmo a sua essência é descrita como uma luz indescritivelmente pura: Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma. (I Jo 1.5)

O seu uso metafórico é abundante nas cartas paulinas e nos escritos de João. Trata-se, sem dúvida, de uma continuação das ideias do Primeiro Testamento, que são confirmadas em diversas citações: Porque o Senhor assim no-lo determinou: Eu te constituí para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até aos confins da terra. (At 13.47) A oposição luz e trevas tem também neste Testamento um caráter moral, porque a luz põe fim ao reino das trevas: Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. (Jo 12.46); tem a força de um julgamento: O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. (Jo 3,19); implica em uma renovação da vida moral: Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes. (Rm 12.12-13). Por vezes esta palavra é de difícil interpretação, pois num mesmo texto a encontramos como referência à luz natural, mas com indícios de advertência moral: Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. (Jo 12.35). Encontramos também alusões à sua finitude, quando será substituída pela luz definitiva: Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos. (Ap 22.5)

Finalmente, a luz, ao lado do amor, são as expressões máximas conhecidas de Deus. Ele é o Pai das Luzes, e mora numa luz inacessível. Os seus mensageiros são chamados de anjos de luz. Neste tema o próprio Cristo se identifica com o Pai, pois participa também deste atributo divino, pois aparecerá numa luz impossível de não ser notada, que rasgará o céu de uma extremidade à outra, e que iluminará eternamente a Jerusalém celeste: A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada. (Ap 21.23)

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