Silo, um nome a ser lembrado II

A conquista da Arca, Gerard Hoet em 1728
Sempre preguei que nós somos mais culpados que o povo de Israel do Primeiro Testamento, pois sempre me baseei no fato de que nós tínhamos os seu exemplo, que nós conhecíamos a sua história. Portanto, éramos indesculpáveis diante de Deus. Mas como errei nesse julgamento, pois eles eram tão culpados no seu tempo quanto nós somos no nosso. Eles tinham um passado recente que era a maior vergonha nacional, e ainda assim insistiam, como insistimos hoje, na desobediência às leis primárias de Deus. Não falo do cumprimento de mandamentos específicos da fé cristã, mas sim de preceitos básicos que são comuns a todo povo que almeja viver com segurança e paz. 

Silo era o exemplo claro do que acontece quando Deus retira o seu Espírito, quando ele simplesmente deixa de atuar favoravelmente. Mas isso nunca se dá através de uma atitude intempestiva ou tomada de supetão. Isso é denunciado extenuantemente através dos sinais da sua graça. Esses sinais de um passado trágico estão sempre diante de nós para nos lembrar do que acontece quando não cumprimos com a nossa parte, como por exemplo, quando esperamos o Reino de Deus para breve, e não vivemos de modo a antecipá-lo.

Silo foi palco de grandes acontecimentos e o marco de grandes vitórias. As tribos que habitavam a margem direita do Jordão. Justamente as que tiveram as maiores vitórias em território inimigo. Ali lançaram sorte para fazer a divisão do território. Era um lugar de alegria, anualmente reunia a maioria do povo em uma festa consagrada a Deus, por isso construíram nesta cidade a primeira casa de Deus julgando que esta seria sua eterna morada. Mas foi também dali que partiram para saquear e instaurar o terror contra os seus irmãos de fé que habitavam a margem oposta do rio.

Volta e meia me perguntam o porquê de algumas ilustrações que são colocadas nas postagens. Confesso que algumas realmente não fazem sentido, são apenas oportunas. Mas a ilustração da postagem anterior, a que inicia esta meditação, tem tudo a ver com este tema. Ashdod foi a cidade filisteia para onde a Arca da Aliança foi levada depois de ter sido confiscada em Silo. A própria Bíblia nos conta que ela foi guardada no templo de Dagon em Ashdod, e o que aconteceu com a estátua desse deus enquanto estava diante da Arca? A pintura retrata a peste que assolou a cidade no período em que a Arca da Aliança estava entre eles. Mal semelhante aconteceu aos moradores de Gate, quando a Arca foi transferida para lá. De igual modo Ecrom foi molestada, ou seja, por onde um mero símbolo da presença de Deus passava havia desolação, até que os filisteus resolveram devolver a Arca a Israel.

Isto somente aumentou ainda mais a vergonha de Israel. Sua impotência era tamanha que nem mesmo para recuperar o seu maior tesouro encontraram forças. Eles deveriam ter se dado conta de que haviam conquistado territórios e vencido inimigos que eram em maior número, assim como possuíam tecnologia superior, unicamente porque Deus estava com eles. Que não apenas lutava com eles, mas por eles, no lugar deles. E assim aconteceu com a devolução da Arca.

A igreja primitiva viveu esta experiência de forma avassaladora. Mesmo perseguida, ainda que trancafiada, experimentou vitórias que nem mesmo o seu mais ilustre literato foi capaz de traduzir em palavras. Paulo dizia que viu e ouviu coisas que não lhe era permitido descrever, em outras palavras, que não havia palavras que as descrevessem. A história é testemunha de que o maior império que já dominou o mundo, ruiu diante do testemunho de fé dos cristãos que se reuniam nas catacumbas fétidas que ficavam nos porões de Roma. A sua fé derrubou um império. Deus estava com eles, Deus lutou por eles.

Disse Jesus: Quem não é por mim, é contra mim. Quem comigo não ajunta, espalha. Assim é a vida da igreja, ora tendo Deus a seu lado e conquistando vitórias inenarráveis, ora se opondo declaradamente à sua vontade e amargando derrotas fragorosas. Por tantas vezes me pergunto de que espírito somos? Que Bíblia é essa que lemos. A que povo se refere a história que ali está narrada? De uma galáxia distante ou das mil e uma noites? Está mais do que na hora de nos lembrarmos de Silo, de Jerusalém e de tantos os outros lugares e épocas que Deus não precisou castigar ninguém para que o povo sofresse. Bastou apenas que ele retirasse o seu Espírito.

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