Igreja nova

Viver para servir, autor não identificado
Quando ouviram isso, todos ficaram muito aflitos e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: — Irmãos, o que devemos fazer? Pedro respondeu: — Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para que os seus pecados sejam perdoados, e vocês receberão de Deus o Espírito Santo. Atos 2.37-88

 Texto baseado em sermão do rev. Garrison.

Por mais que queiramos negar existe uma igreja nova nascendo entre nós e nem sempre nos damos conta disso. É uma revolução que não está ligada à forma de governo da igreja, bem como não tem a ver com as novas denominações que estão surgindo. Também não se atrela às novidades que se apresentam nos cultos através da música, dos rituais e das novas ênfases no louvor. Tudo isso está acontecendo, mas a revolução real é muito mais profunda e excitante.

O povo de Deus hoje está perguntando o seguinte: como podemos manter a comunhão com Deus e ao mesmo tempo servir ao próximo?

A maioria de nós já esteve internada num hospital. Quando estamos internados pensamos que tudo lá é organizado para satisfazer as nossas necessidades. Afinal, o hospital existe e sobrevive por causa de gente doente. Mas não é nada disso não. Temos que reconhecer que a rotina de um hospital está relacionada ao seu quadro de funcionários. O café da manhã é servido às cinco horas, e o que faz quem costuma acordar às oito? Será que eles pensam que todo mundo trabalha em fazenda? Por que acordam as pessoas no melhor do sono? Porque o turno da noite é sempre mais folgado, e assim serve logo o café para dar uma folga aos que chegam para o turno da manhã.

Às vezes eu penso que Jesus Cristo está pensando o mesmo de nós. Nós estamos tão ocupados fazendo o nosso trabalho religioso, fazendo a máquina eclesial funcionar que esquecemos qual é a verdadeira vocação da igreja. São tantos planejamentos, relatórios, reuniões e programas que a igreja se torna um fim em si mesma, e o mundo doente fica refém dos horários que nos sobram, das horas em que estamos mais folgados. O pior é que a nossa análise sobre as necessidades do mundo é sempre superficial e quase nunca tem a ver com a sua necessidade real.

Aconteceu que uma senhora subiu na janela do seu apartamento no sétimo andar e ficou dançando. Os vizinhos chamaram a polícia, a polícia chamou os bombeiros e os bombeiros convocaram o seu esquadrão de elite e conseguiram resgatar a mulher. Ninguém lhe perguntou o motivo da sua arriscada atitude, aliás, fazia tempo que ninguém lhe dava qualquer tipo de atenção. Levaram-na direto para um hospital psiquiátrico, como alguém que tentara suicídio. Foi lá que uma pessoa ouviu a sua história, que era a seguinte: Ela estava limpando o quarto quando a porta bateu e a deixou trancada. Ela então subiu na janela para ver se alcançava a varanda quando tudo aconteceu. Quantas vezes nós chegamos na igreja tentado sair de uma situação drástica? Nós estamos tão identificados com isso, não estamos?

Por que estamos na igreja? Bem, eu nasci num lar cristão. Outros porque aceitaram o convite de um amigo. Outros ainda porque foi lá que viram derrotados os seus argumentos materialistas. O nosso envolvimento com a rotina da igreja nos faz esquecer os motivos que levam as pessoas a se renderem a Cristo. Suas necessidades ficam ofuscadas pela nossa eficiência.

No seminário, no curso de comunicação, o professor repetiu várias vezes: para se comunicar com alguém é preciso ser ao mesmo tempo transmissor e receptor. Ser transmissor quer dizer que a mensagem que pregamos deve ser entendida. Ser receptor significa ouvir o que a outra pessoa está tentando nos dizer. Mas o que normalmente fazemos é falar, cantar e arrastar as pessoas para a igreja sem sequer ouvir os motivos que a levaram a mostrar-se receptiva à mensagem do evangelho. A natureza do evangelho é repartir as boas notícias com os outros. Mas estamos tão preocupados com tantas coisas que as boas notícias são dadas apenas no final do culto, quando sobra tempo.

É tão raro ver alguém decidido a falar e a escuta, basta simplesmente ver o nosso modelo de sermão. É uma pessoa falando vinte, trinta, quarenta minutos e uma congregação inteira ouvindo sem poder abrir a boca. Quando é que esse pregador vai querer saber o que as pessoas estão entendendo e qual a relação que isso tem com o que ela está realmente precisando? (continua)



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