Deus é parceiro que não trabalha sozinho

Na minha angústia, invoquei o SENHOR, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos. Leia Salmos 18
Davi tocando harpa para Saul, Rembrandt em 1658
Texto do rev. Jonas Rezendo extraído livro Salmos para o Coração

Há muitos salmos atribuídos a Davi que, desconectados os contextos hebraicos, mereceriam um comentário bastante parecido: o sofrimento e as aflições do rei e o livramento que chega da parte de Deus; derrotas e vitórias.

Escolhi o salmo 18, mas outros salmos poderiam cumprir o mesmo papel. Se você quer aceitar a minha opinião, leia todos eles, porque reproduzem situações que tantas vezes também nos assaltam; emoções que estão na vida do próprio Jesus. São esses salmos davídicos expressões que os evangelhos colocam na boca do Cristo, como: Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? Ou, Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito... Afina, Jesus conhecia os salmos.

Mas, veja bem. Todas essas páginas falam também, de modo eloquente, de um Senhor sensível ao clamor humano e sempre pronto a libertar seus filhos dos laços da morte e das torrentes de impiedade, como testemunha Davi. Não é também a nossa experiência quando em lutas ou dificuldades? Porque não dizemos então como este poeta, que foi um homem segundo o coração de Deus, utilizando a linguagem dos poderes daquela época: uns confiam em carros, outros em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos no Senhor. Eles se encurvam e caem, mas nós levantamos e ficamos de pé.

Confia no Senhor de todo o teu coração, recomenda Salomão.

Acredito, entretanto, que é preciso ainda fazer uma observação que julgo oportuna. O saltério como um todo, e esses salmos de libertação agora focalizados, não foram orados por homens que cruzaram os braços, esperando que Deus fizesse o que eles mesmos precisavam realizar. Pelo contrário. Desde menino, Davi sabia que contava com o auxílio divino, quando guardava suas ovelhas nas vigílias noturnas, que pareciam não ter fim. Essa a razão por que, falando com Deus, o poeta usa esta bonita figura de linguagem: a minha alma espera em ti, mais do que os guardas pelo romper da manhã. O rei sabia que o Senhor estava ao seu lado, quando enfrentou o gigante Golias. Assim como o livrou das mãos de um rei enlouquecido como Saul.

Mas Davi nunca se esqueceu também que era preciso vigiar, lutar, jamais deixar de fazer a sua parte. Confiava, como se tudo dependesse de Deus. E agia, como se contasse apenas com ele mesmo. Afinal, o Senhor nãom era uma muleta nem conduzia seu povo vida a fora em tapetes mágicos. Um poeta, que preferiu o anonimato, nos adverte de maneira bela e correta.

Fraco é aquele que fraco se imagina,
Olha ao alto o que ao alto se destina;
A confiança em si mesmo é a trajetória
Que nos leva aos altos cimos da vitória

Nem sempre o que mais corre a meta alcança
Nem mais longe o mais forte o disco lança,
Mas o que, certo em si, vai firme e em frente
Com a decisão firmada em sua mente.

Por Deus e por você – faça o mesmo.

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