Alegria no Espírito

Missão do doze, Fra Angelico em 1440
Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. E, voltando-se para os seus discípulos, disse-lhes particularmente: Bem-aventurados os olhos que veem as coisas que vós vedes. Pois eu vos afirmo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não o ouviram. Lucas 10.21 e 23-24

Este texto de Lucas fala da alegria dos setenta ou setenta e dois discípulos que saíram, enviados por Jesus, em missão evangelística pelas cidades da Judeia e Galileia em contrapartida à alegria do próprio Jesus manifesta na sua oração ao Pai. Apesar de Jesus ter mostrado a eles apenas um dos motivos da verdadeira alegria, que era bem diferente do motivo pelo qual os discípulos estavam se alegrando, podemos, com a ajuda e bons biblistas, descobrir nas entrelinhas alguns outros bons motivos da chamada “alegria no Espírito”.

Os discípulos voltaram da missão exultantes porque as forças do mal lhes eram submissas. Jesus contrapõe dizendo: Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus. Temos aqui um grupo de discípulos eufóricos com o poder recém adquirido sobre as obras do mal, e tomos Jesus determinando qual deveria ser o verdadeiro motivo da alegria. Contudo, o próprio Jesus também se porta de forma alegre. Qual seria, então, o motivo da sua alegria? Seria a alegria de perceber o Espírito Santo se manifestando na igreja?

Os teólogos de tendência mais carismática diriam que a alegria de Jesus foi devida ao que Lucas relatou no verso 18: Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago. Esta interpretação, no entanto, nos conduz obrigatoriamente a uma pergunta crucial: O Espírito Santo inspira dentro de nossos corações alegria pela derrota do mal, ou nos dá sabedoria para que nos conscientizemos da nossa atividade profética, que é muito mais relevante que simplesmente combater o mal, e isso sim, nos leva à alegria?

Podemos afirmar com certeza que as vitórias obtidas em nome do Reino de Deus eram o constante motivo das alegrias de Jesus. O texto acima nos permite concluir que as vitórias do Reino já haviam começado e que já eram visíveis na escolha preferencial de Deus pelos pequeninos. Podemos afirmar também que a visão profética de Jesus deslumbrava vitórias ainda maiores do que a conscientização daqueles setenta e dois discípulos: Jo 4.35 - Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa. O ceifeiro recebe desde já a recompensa e entesoura o seu fruto para a vida eterna; e, dessarte, se alegram tanto o semeador como o ceifeiro.

A alegria na vitória imediata e temporária é natural e válida, mas somente a sabedoria nos faz ver que ela só se completa quando ela é estendida a todos. No linguajar de Jesus: tanto ao semeador como ao ceifeiro. Ter a sabedoria para perceber esta alegria é mais que um privilégio. É uma bênção que nos coloca entre os mais bem aventurados, porque muitos profetas e reis quiseram recebê-la e não receberam; quiseram vê-la, e não a viram; quiseram, pelo menos ouvir o seu sussurrar, e não ouviram.

Tudo isso é muito bom porque não precisamos escolher entre uma alegria e outra. Não precisamos abrir mão de uma em detrimento da outra. Não precisamos escolher entre as alegrias que o Espírito inspira. Precisamos, sim, reconhecermos o nosso papel tanto no discurso profético inspirado, quanto no desenvolvimento da sabedoria como um dom carismático. 

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