O que é HOSANA?

Oh! Salva-nos, SENHOR, nós te pedimos; oh! SENHOR, concede-nos prosperidade!
Salmo 118.25
Entrada em Jerusalém, Pedro de Orrente em 1620
Quando o salmista balbuciou entre dentes essa oração no salmo 118, certamente não tinha como imaginar que suas breves palavras ecoariam por milhares de anos após a sua morte. Esse sintético pedido de socorro transformou-se rapidamente em um lema nacional, e passou a ser a aclamação principal do povo de Israel enquanto marchava alegremente ao redor da Arca da Aliança, celebrando uma de suas principais festas: o Sucot, festa das Cabanas ou festa dos Tabernáculos. Não era sem uma razão explícita que quase que a totalidade das orações proferidas nessa festa começavam justamente com a invocação Hosana. Além disso, esse festival não se encerrava enquanto não fosse realizada a esperada Hosana Raba, ou a grande Hosana, que era a tônica do sétimo e último dia dessa grande festa.

Hosana também é a síntese da síntese das orações preferidas daqueles que sinceramente oram a Deus, porque expressa com toda a intensidade os dois temas mais comuns e os mais frequentemente repetidos na grande maioria das orações que a ele são dirigidas: Salve e louvemos. Por isso é que ela passou a repercutir, com justa razão, em todos os salmos de socorro e livramento que foram compostos a partir deste, pois expressa também a necessidade da urgência do livramento: Deus, salve-nos agora.

Essa expressão ao se deparar com o movimento iniciado por Jesus, o Cristo, assentou-se-lhe como uma luva. Desde a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém ela passou a integrar os ritos que acompanhavam o Messias, porque ela não somente é a consumação da antiga profecia que foi profetizada por esse mesmo salmista nos versículos seguintes ao citado no alto da página, como também fez com que a exaltação da chegada e da presença do Messias fosse assinalada com festa e ramos de palmeiras até a entrada do Templo: Bendito o que vem em nome do SENHOR. A vós outros da Casa do SENHOR, nós vos abençoamos. O SENHOR é Deus, ele é a nossa luz; adornai a festa com ramos até às pontas do altar.

A palavra serviu, e ainda serve, como tema de uma infinidade de canções de louvor a Deus. John Wesley em seus sermões e cartas citava frequentemente os moravianos, um povo pelo qual nutria profunda admiração e respeito pela sua elevada conduta moral, pela sinceridade de suas orações e pela beleza de suas canções. Os moravianos tinham como regra cantar Hosana não apenas no Domingo de Ramos, como também no primeiro domingo do Advento. Harry Belafont, um cantor famoso dos anos de 1950, incluiu uma música com esse nome em Calypso, um dos seus mais aclamados álbuns. Serviu de tema para uma das canções da grande ópera rock Jesus Cristo Superstar. É, sem dúvida, um dos temas preferidos dos compositores de música gospel do nosso tempo, pelo seu apelo e tradição.
Mesmo com toda essa tradição que envolveu a palavra Hosana, o fiel a Deus ainda não se sentia plenamente à vontade em louvá-lo apenas repedindo-a em suas orações. Toda a pompa, toda a adoração, todo o respeito, toda a solenidade que acompanhavam essa oração ainda era pouco para ele. Na concepção do salmista, para que se dignifique Deus em sua glória, até mesmo a Hosana, que se admitia como a oração definitiva, ganha adjetivos e adornos. Para a fé singela de alguém que se depara com a grandiosidade de Deus, e com a simplicidade da sua presença na figura do seu Filho, a Hosana só não basta. Ela tem obrigatoriamente que ser elevada, não somente às alturas, mas ele vai fazer questão que seja nas maiores alturas. E as multidões, tanto as que o precediam como as que o seguiam, clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas! (Mt 21.9

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