O que é BATISMO?

Batismo de neófitos, Capela Brancaci, Itália
Além de ser o dia em que os bebês levam os pais, tios, avós e padrinhos à igreja, também serviu para dar forma ao apelido de um tal João, que depois disso ficou conhecido como Batista. Mas o que é o batismo na verdade?

Muito antes de Cristo não poucas religiões da Índia, do Egito e da Mesopotâmia utilizavam-se esta prática como um ritual de iniciação, que tinha por finalidade lavar as impurezas da pessoa para que essa pudesse ingressar pura na religião. Nem sempre levavam em conta o aspecto moral, mas representava, na maioria das vezes, a passagem de um tipo de vida para outro, através de um aditivo que a alma recebia neste ato, que se supunha conferir algum dom, até mesmo a imortalidade.

No judaísmo não era praticado uma vez só, como no Cristianismo. Certas doenças ou contaminações exigiam banhos de purificação, e isso se estendia também aos objetos que as pessoas contaminadas tocavam. Os judeus também batizavam os prosélitos, indivíduos que não nasceram judeus e queriam se converter ao judaísmo. Um judeu filho de judeus não precisava passar por este ritual, a não ser pelos casos citados acima. Algumas seitas oriundas do judaísmo, como a dos essênios, tinham o batismo como seu ritual supremo, acima da circuncisão, pois, para eles, até mesmo os circuncidados eram considerados pagãos.

Dentre os grandes “batizadores” do passado surge o nosso conhecido João Batista como o mais importante deles. Basta notar que todos os evangelhos referem-se ao batismo de Jesus, realizado por ele, como sendo o início do ministério terreno do Filho de Deus. Diferentemente do batismo pagão, o batismo de João era essencialmente moral, onde a justiça prevalecia sobre qualquer outra instituição, inclusive o Templo. Mas João tinha a plena convicção de que o seu batismo não era definitivo, o seu batismo era apenas o precursor de uma forma de batismo ainda mais elevada, Ele dizia que batizava com água, mas que depois dele viria um que batizaria com o fogo do Espírito de Deus, um enviado de Deus do qual ele não era digno nem de desatar as sandálias.

E o batismo cristão, o que é afinal? É comum ouvirmos que é um sacramento. Mas o que é um sacramento? Para os católicos eles são sete, mas para os protestantes apenas dois, e o batismo está em ambas as listas. É comum se ouvir também que o batismo é um sinal visível de um dom ou graça invisível. Traduzindo: é um sinal exterior, um ritual imanente, visível e presente, de uma bênção gratuita transcendente, não visível e não aparente. Ninguém ao ser batizado recebe uma auréola ou duas asinhas. O batismo é um sinal da predisposição de uma mudança interior para os adultos, e um compromisso bilateral, da família e da igreja, em educar e ajudar a formar o caráter da criança nos princípios da fé cristã. Uma curiosidade sobre o batismo é que não o testemunhamos como indivíduos, mas sim como igreja de Cristo. Por isso, quando o celebrante pedir que assumamos o compromisso de assistir ao batizando, a velha desculpa de não fazê-lo porque poderá nunca mais vê-lo, é completamente descabida. Termos o compromisso não somente com este, mas com todos os batizados em igrejas cristãs, seja de que denominação for.

O batismo não precisa necessariamente ser realizado por um sacerdote ordenado. Embora isso seja preferencial, em casos extremos ele pode ser realizado por qualquer pessoa, uma vez que não é o celebrante que o torna eficaz, mas a Trindade augusta em nome de quem ele é batizado. Isto não é exatamente uma regra. Algumas denominações, por questões meramente doutrinárias, só aceitam o seu próprio batismo, e quando recebem em seu rol membros de outras denominações, estes devem ser rebatizados. Talvez tenha sido por isso que Jesus não realizou nenhum batismo, e Paulo se esquivou ao máximo de realizá-lo, para que estes batizados não se sentissem privilegiados ante os demais.

Quanto à forma existem três: por imersão, por aspersão ou por derramamento. Algumas igrejas aceitam todas as formas, algumas apenas uma. Todos igualmente alegam possuir respaldo bíblico para assim o fazerem, e todos tem igualmente razão. Meu velho pai quando defendia o batismo por aspersão dizia que nos dois batismos por imersão narrados na Bíblia, os batizandos se deram mal. Um foi no dilúvio e o outro foi na travessia do mar Vermelho.

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