Calem-se diante dele III

Isaías no templo, autor não identificado
No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor sentado num trono alto e elevado. Então eu disse: — Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus lábios são impuros, e moro no meio de um povo que também tem lábios impuros. E com os meus próprios olhos vi o Rei, o SENHOR Todo-Poderoso. Isaías 6.1 e 5

Outra sensação que fica latente em nossos cultos atuais é que muito camufladamente eles nos induzem à pretensão de que estamos prestando um favor a Deus por termos dado a ele a preferência da nossa adoração. Dá a impressão de que o escolhemos em um cardápio de com várias opções de deuses e que por esta distinção nos tornamos merecedores de bênçãos e liberdades que nos permitem agir de acordo com nossos apelos e tendências.

Nossos heróis bíblicos não são mais aqueles que figuram na galeria de heróis da fé do capítulo 11 da Carta aos Hebreus. Nesta nova concepção de fé são eles: o filho pródigo e Zaqueu, pois ambos manifestaram o seu desejo de mudar de vida e trilhar o caminho que Deus havia traçado para eles. Nas suas concepções o pródigo e Zaqueu seriam os autores e consumadores da sua própria salvação. Ledo engano. Se não tivesse um Deus de amor do outro lado para perdoá-los e recebê-los de volta, de nada adiantaria cair em si, fazer discursos bem elaborados, tornar-se generoso de repente e praticar alguma forma de justiça. Sem Deus na história os dois sucumbiriam no profundo abismo da desgraça.

Esse fenômeno religioso da modernidade se dá principalmente pela omissão de uma das partes fundamentais do culto: a confissão. Somente a confissão pode nos dar a dimensão exata do quão longe estamos da santidade de Deus. Somente a confissão pode nos convencer de que somos inadequados e insuficientes para levar a cabo qualquer tipo de relacionamento com Deus. Essa é a sutil diferença que deve conduzir todo o restante do culto. Desprovidos da noção da nossa nulidade, cometemos o erro de nos acharmos os tais, os justos e os salvos. Vem justamente daí a ênfase de muitos louvores, de manifestações coreografadas e palavras com pretensões proféticas que afirmam as nossas capacitações às bênçãos requeridas .

Mas para que não prevaleça a ideia de que me baseei exclusivamente no Primeiro Testamento, quero trazer para a nossa reflexão as atitudes que Paulo tomou contra um dos personagens das cartas que endereçou a Timóteo: Alexandre, o latoeiro. Os textos são estes: mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem. I Tm 1.19-20 e Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. Tu, guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras. II Tm 4.15-15.

Pedi atenção para estes textos porque uma das mais frequentes advertências que recebi pela minha postagem foi justamente por ter demonstrado falta de amor para com as pessoas citadas. É certo que não citei nome algum, bem como desfoquei a foto para que ninguém fosse reconhecido. Por este motivo quero acentuar o fato de que Paulo dá nome aos bois. Ele os distingue nominalmente na congregação, fala abertamente das suas blasfêmias e faz um juízo sumário dos mais dramáticos: os quais entreguei a Satanás para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem.

Transportando o tema para o contexto atual, prevalece o fato de que neste episódio um dos lados está blasfemando consistentemente. Seriam eu e uns poucos que comigo concordaram ou a grande maioria que insuflou ódio contra mim e as minhas palavras? É importante que se decida, porque o blasfemador deve ser entregue a Satanás para receba a sua devida paga.

Definitivamente Paulo não procedeu segundo os trâmites que me foram sugeridos: chamar à parte, conversar amorosamente sobre o assunto e entender as razões das suas atitudes. Está diante de vocês o drama: agir antes com o amor exigido da nossa consciência ou segundo os textos bíblicos pertinentes ao assunto?

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