Lavradores maus (outra visão)II

Lavradores maus, autor não identificado
Primeiramente a parábola nos fala do nosso privilégio de viver. Respire o seu próximo respiro com reverência e espanto. Tome o seu pulso e veja o seu coração que manda sangue para todo o seu corpo ano após ano. Pense com sua mente: que maravilha, que milagre, que capacidade grandiosa Deus nos tem colocado em nosso intelecto. Sinta as emoções com as quais você pode se expressar. Eu fico tão apegado às emoções negativas que me esqueço das emoções que Deus me tem dado para sentir e experimentar. A Bíblia diz que nós fomos criados para expressar o amor de Deus. Capture a liberdade e o poder de sua vontade. Nossa habilidade coletiva nos permite escolher e fazer. Deus não se esqueceu de absolutamente nada. A plantação das nossas vidas é perfeita. Deus providenciou tudo para que a cultivássemos com sucesso uma vinha maravilhosa. Justamente como o dono daquela vinha, Deus nos deixou todos os recursos necessários para produzirmos uma colheita espetacular. Deus nos tem equipado para viver intensa e alegremente.

E segundo lugar a parábola nos obriga avaliar a transferência trágica da propriedade da vinha para o nosso nome, o que aqueles exatamente aqueles lavradores estavam fazendo. Quando foi que aconteceu isso? Quando foi que palavras simples, como meu e minha, tomaram proporções perigosas? Acontece com todos nós, é claro! Começamos tão bem a caminhada da fé no serviço ao Senhor, mas não demora muito para passarmos a esperar que o Senhor trabalhe por nós. Não demora muito ele está fora de qualquer decisão e participação nas nossas vidas cotidianas. Simplesmente não há lugar para ele porque nós estamos no controle, porque nós somos capazes de fazer tudo sozinhos. Isso acontece tão sutilmente que nós não percebemos.

Nós trabalhamos muito e trabalhamos bem, está certo. Somos responsáveis e somos também os melhores naquilo que fazemos. Temos uma excelente reputação. Existe um adágio na internet que diz o seguinte: Estás se achando sozinho, esquecido, abandonado e ninguém liga pra você? Atrase uma conta. Nem que seja desse jeito, nós somos reconhecidos. Mas a questão não é essa. Não se trata de nós, do que somos ou do quanto fizemos e sim de quem é o dono da vinha de fato e do que ele espera de nós. O problema é que temos usado a vinha para os nossos propósitos como se ela nos pertencesse.

Nada estará fora do nosso alcance se dissermos ao mundo que tudo pertence a Deus. Um serviço fiel e sincero é tudo o que ele deseja. Louvamos e adoramos com sentimento de submissão; não são alegres as caras que a maioria dos adoradores na hora do louvor, mas agimos com autonomia e autodeterminação com a cara de quem está fazendo a coisa certa. Cantamos que tudo pertence a ele, mas o fato é que até mesmo a igreja tratamos como se ela fosse nossa. Em cada família, em cada igreja em cada lugar Deus está buscando aqueles que farão o mundo enxergar que tudo pertence a ele, e isso não é uma questão de doação voluntária, porque, como diz o apóstolo Paulo: Porque do Senhor é a terra e a sua plenitude (ICo 10.26). É apenas o reconhecimento de uma verdade absoluta. O pecado não é nada mais do que querer ter a glória que deve ser dada exclusivamente a Deus.

A parábola reclama a justiça do julgamento de Deus. Chega um dia na nossa vida que temos que resolver quem é o dono da vinha da nossa vida ou mesmo se ela pode ser tirada do nosso controle. Um pai falou amargamente do relaxamento de um filho, que não mora mais em casa, e que se recusa sequer a ter contato com a família. Ele se lembrou de como criou esse filho para ser sua propriedade pessoal. De como ele tinha exigido desse filho uma conduta e uma perfeição que ele mesmo nunca havia conseguido, mas ele exigiu isso do filho. Então o filho se tornou um objeto em vez de uma pessoa. Antes de deixar o lar o filho lhe falou: Tire as suas mãos da minha vida, papai. Eu não sou sua posse privativa. Você não vai mais dirigir a minha vida. Quantos de nós fazemos o mesmo com os nossos filhos? Eles não têm permissão de fazer nada ou ser nada sem o referencial que nós lhes impomos. O problema daquele pai, apesar de ser cristão, era ter se esquecido de que aquele filho pertencia a Deus, e não a ele. (continua)

Ps: A primeira postagem sobre esse assunto foi publicada em 19 de maio de 2015 e pode ser acessada neste link: Lavradores maus.

 
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