Portas fechadas

Ora, quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo, e uma porta se me abriu no Senhor, não tive, contudo, tranquilidade no meu espírito, porque não encontrei o meu irmão Tito; por isso, despedindo-me deles, parti para a Macedônia. II Coríntios 2-12-13

Jesus em Nazaré, Paolo Veronese
Iludem-se aqueles que pensam que o evangelho progrediu mais quando as circunstâncias o favoreciam, quando encontrava ventos favoráveis e portas abertas. Pelo contrário. O evangelho foi mais fecundo e sua mensagem mais eficaz quando as torrentes lhe confrontavam e encontrava portas que se fechavam incontinentes na sua frente.

Bater com a cara na porta deveria ser a consequência que mais deveria enobrecer o discípulo de Jesus em sua missão de pregar o evangelho, isso deveria ser o seu real galardão. Falo isso não  fundamentado em teorias de conspiração ou por apostar no caos, mas baseado em dados históricos bem concisos, repetidos e comprovados ao longo da História da Igreja.

Podemos muito bem dividir o ministério do apóstolo Paulo em duas fases distintas: antes e depois do seu sermão no Areópago. O seu verdadeiro entusiasmo na missão e a certeza de estar pregando uma doutrina segundo os ensinamentos de Cristo lhe vieram depois que os atenienses lhe bateram com a porta na cara. Confira em Atos dos Apóstolos 17.32-33: Quando ouviram falar de ressurreição de mortos, uns escarneceram, e outros disseram: A respeito disso te ouviremos noutra ocasião. A essa altura, Paulo se retirou do meio deles. Após fazer um sermão belíssimo. Um sermão que se adequava perfeitamente ao ambiente, e ainda sentido-se derrotado, saindo dali foi para Corinto com uma pregação totalmente diferente da que havia feito em Atenas. Com a porta na cara ele viu que tinha que trocar o discurso da razão pela loucura da cruz de Cristo. Mais tarde, na primeira carta que escreve à mesma igreja de Corinto onde essa transformação se processou, ele dá por escrito este seu testemunho: Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.

Fato semelhante se deu também com John Wesley. Quando as portas de todas as congregações anglicanas se fecharam para ele e para a sua mensagem transformadora, ele dirigiu para as portas das minas de carvão. Foi a  partir desse grave inconveniente que ele mudou o foco do seu ministério de pastor de membros de igreja para pastor de todas as pessoas. Foi aí que ele afirmou com toda a convicção: o mundo é a minha paróquia. E esta experiência de Wesley, que produziu resultados imediatos, foi lindamente imortalizada em um sermão de Jorge Whitefield: Ao contemplar o mosaico de rostos humanos enegrecidos pelo carvão das minas enquanto pregava, ele via as listas brancas que se abriam à força das lágrimas naquelas faces sujas.

Mas talvez nenhuma experiência de rejeição tenha sido tão dolorosa quanto a que Jesus viveu entre os seus familiares e amigos de infância. O Evangelho de Marcos, no capítulo 6 registra: Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra, entre os seus parentes e na sua casa.

E não é que foi a partir dessa derrota em casa que ele resolveu comissionar setenta missionários para a evangelização de todo Israel?

Uma porta aberta pode criar um excelente oportunidade de se conquistar para Cristo um lar ou uma família, mas uma porta fechada nos dá a oportunidade de nos atrevermos a evangelizar o mundo.

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