O Que é a Mensagem da Cruz? III

Mensagem da Cruz, foto Pastor Davis
Leia I Coríntios 2.1-5

Texto gentilmente cedido pelo rev. Alan Kleber Rocha, pastor da Igreja Presbiteriana de Aracaju (www.iparacaju.org)

Introdução
Hoje finalizaremos nossa série de pastorais sob o título "O que é a mensagem da cruz?" Já aprendemos pelo menos duas grandes características I Co 2.1-5 que evidenciam o seguinte:

1 - A mensagem da cruz é cristocêntrica em seu conteúdo, ou seja, Jesus Cristo é o centro da mensagem evangélica e isso é inegociável.

2 - A mensagem da cruz revela a fraqueza humana e ao mesmo tempo o poder do Espírito Santo, pois quando a igreja anuncia a cruz de Cristo todo o homem diminui para que Ele cresça cheio de graça e verdade (Jo 1.14).

A terceira e última característica da mensagem da cruz, portanto será apresentada hoje. No versículo 5, Paulo diz:"... para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus". Em terceiro lugar, podemos dizer que:

A Mensagem da Cruz fortalece a nossa Fé no Poder de Deus
Finalizando esta seção, o versículo 5 nos apresenta o propósito final da mensagem da Cruz. Considerando que a expressão "para que", significa o mesmo que, "com o objetivo de que", Paulo tinha plena certeza de que por ter sido fiel na sua pregação, os coríntios jamais aprenderam da sua parte que a fé deveria apoiar-se na sabedoria humana, mas sim em Cristo, "... poder de Deus e sabedoria de Deus" (I Co 1.24).

Segundo Calvino, "apoiar" é usado aqui no sentido de "consistir". Portanto, Paulo quer dizer que os coríntios tinham sido beneficiados porque ele havia pregado Cristo entre eles sem apoiar-se na sabedoria humana, mas unicamente no poder do Espírito, com o objetivo de que a fé dos coríntios não tivesse por base o ser humano, mas somente Deus.

Se a pregação de Paulo estivesse apoiada só na força da eloqüência, ele poderia ter sido rapidamente destruído pela oratória superior. Ademais, ninguém terá por genuína a verdade que se apoia na excelência da oratória. Naturalmente que a oratória pode servir de auxílio para a verdade, mas esta não pode depender daquela. Em contrapartida, o que se mantém por si mesmo independe de qualquer apoio e deve ser mais poderoso. Por esta razão, a verdade é a mais notável recomendação da pregação de Paulo, e o poder celestial brilhou nela com tal intensidade, que logrou remover tantos obstáculos, sem qualquer assistência do mundo.

Jamais eles poderiam acusá-lo de teralicerçado as suas vidas sobre a areia do humanismo grego, a qual resultaria em um frouxo e perigoso fundamento que os conduziria à total ruína espiritual e eterna, pois que, ele, o velho apóstolo, "segundo a graça de Deus que [lhe] foi dada, [havia lançado] o fundamento como prudente construtor..." (I Co 3.10), sabedor de que ninguém poderia lançar outro fundamento, o qual é Jesus Cristo (I Co 3.11).

Eis a razão peia qual o apóstolo Paulo não se envergonhava do evangelho, e desejava tanto poder pregá-lo em Roma: porque ele revela o poder salvador de Deus1 Os romanos não estavam sempre se vangloriando de seu poder, a força pela qual haviam conquistado o mundo? "O evangelho que eu proclamo", afirma Paulo, por assim dizer, "é muitíssimo superior. Ele tem sido levado a bom termo e oferece algo muitíssimo melhor, a saber, a salvação (eterna), e isso não pelo povo de uma nação, mas por aqueles que exercem fé" (Hodge). A necessidade mais urgente e imperativa da alma não é o renome terreno, mas paz, alegria, glória para hoje, amanhã e para o futuro sem fim. Comparado com "o poder de Deus", quão frágil é o poder de Roma ou de qualquer outro império terreno. Os exércitos terrenos destroem. O evangelho de Cristo salva.

Em Romanos, Paulo estabeleceu o contraste entre a graça de Deus e as obras do homem. Em I Coríntios, ele estabeleceu o contraste entre o poder de Deus e a sabedoria do homem. Embora a ênfase seja diferente, a mensagem e o alvo são os mesmos em ambas as cartas: conclamar os homens à fé em Cristo Jesus, e não à fé em si mesmos.

Concluímos essa séria com as seguintes considerações:

1 - Que o método que deve ser usado para converter homens em uma comunidade, seja cristã ou pagã, é pregar ou apresentar a verdade referente à Pessoa e a Obra de Cristo. Todos os demais meios usados hão de ser subordinados e auxiliares, destinados a eliminar obstáculos, e a facilitar o acesso da verdade aos corações, do mesmo modo como a terra é limpa das mazelas e pragas a fim de prepará-la para a preciosa semente.
  
2 - O estado de espírito em que há de se pregar o Evangelho é oposto à confiança em si mesmo ou a indiferença. O Evangelho deve ser pregado com consciência de fraqueza e com grande fervor e aplicação.

3 - O êxito do Evangelho não depende da habilidade do pregador, senão da demonstração poderosa do Espírito.

4 - O fundamento da fé que salva não é a razão, ou seja, os argumentos dirigidos ao entendimento, senão o poder de Deus ao trabalhar com e pela verdade na mente e no coração.

E muito comum nos dias de hoje ouvirmos a respeito da irrelevância da pregação da Cruz. O homem moderno não suporta mais ficar quieto diante de tais atividades "tradicionais" da igreja. Eles afirmam que precisamos utilizar novos métodos, tais como: a dramatização, a dança e a multimídia, a fim de substituirmos a velha e caduca pregação da Palavra em nossos cultos. Eles argumentam que a pregação está fora de moda, e que as pessoas querem novidades. Esperar que grandes grupos de pessoas fiquem sentadas nos bancos da igreja e ouçam um homem falar por meia hora ou mais, afirmam eles, não é apenas presunçoso, é uma pura bobagem.

Contudo, as Escrituras nos ensinam que "aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação" (1 Co 1.21). Deus decidiu salvar os pecadores através da mensagem pregada. Da pregação da velha e rude Cruz de Cristo. Esse é o meio pelo qual os eleitos são chamados à salvação.

A pregação ungida pelo Espírito Santo é a grande necessidade de nossos dias. Oremos por aqueles cuja tarefa é cumprir o santo chamamento de proclamar o Evangelho de Jesus Cristo, no poder do Espírito. Que o Senhor Deus nos conceda um avivamento da verdadeira pregação!

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