Barnabé, homem de Deus

Paulo e Barnabé, Nicolaes Pietersz Berchem
As tradições das Igrejas Católica Romana e  Anglicana, esta última conhecida no Brasil como Igreja Episcopal, no dia de hoje, se juntam para reverenciar a memória de um gigante da fé cristã: São Barnabé, também chamado de apóstolo. Uma justíssima homenagem que o ranço colonialista das igrejas protestantes do sul dos Estados Unidos, que iniciaram a evangelização em nosso país, simplesmente fizeram questão de omitir.

No livro dos Atos dos Apóstolos estão registradas algumas poucas realizações do muito que fez aquele de quem se pode dizer que estava sempre no lugar certo, na hora certa. A igreja Jerusalém, em uma época em que a fome assolou aquela região, durante o governo do Imperador Cláudio, precisou de recursos para a sobrevivência dos seus membros; ali estava Barnabé sendo fiel a Deus no muito. Vendeu todas as suas posses e entregou esses recursos aos apóstolos para que fossem distribuídos: José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer filho de exortação, levita, natural de Chipre, como tivesse um campo, vendendo-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos. (At 4.36s)

Contudo, o altruísmo estava ainda muito aquém de ser a sua principal virtude. Talvez tenha sido inspirado nele que Paulo escreveu: Ainda que distribua todos os meus bens entre os povos, se eu não tiver amor... É claro que não lhe faltou amor ao evangelho, à Igreja, às pessoas e particularmente a um recém convertido, de quem poucos ousavam se aproximar: Tendo chegado a Jerusalém, (Paulo) procurou juntar-se com os discípulos; todos, porém, o temiam, não acreditando que ele fosse discípulo. Mas Barnabé, tomando-o consigo, levou-o aos apóstolos; e contou-lhes como ele vira o Senhor no caminho, e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus. (9.26s)

Em consequência à morte de Estevão, os cristãos se dispersaram pelo mundo, alguns chegando à cidade de Antioquia, um centro urbano de capital importância para o Império Romano, sendo esta a sua terceira maior cidade; e de suma importância para a fé cristã, pois foi onde Paulo foi oficialmente reconhecido como apóstolo e onde, pela primeira vez, os seguidores de Cristo foram chamados de cristãos. Os refugiados necessitavam urgentemente de um pastor que os orientasse nessa tumultuada fase da sua história. Quem se apresentou para ser esse missionário? O nosso santo do dia, Barnabé, natural de Chipre, que a reboque iniciou na fé João Marcos, que mais tarde viria a ser o grande evangelista que conhecemos: Barnabé e Saulo, cumprida a sua missão, voltaram de Jerusalém, levando também consigo a João, apelidado Marcos. (13.25)b4

Ainda insatisfeito com o sucesso da sua missão em Antioquia, voltou à sua Igreja de origem para ser enviado em uma cruzada evangelística sem paralelo em toda a história do Cristianismo. O que consideramos erradamente ser a primeira grande viagem missionária de Paulo, foi de fato a grande viagem missionária de Barnabé, em que Paulo foi um mero coadjutor. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. (13.2)

Particularmente, sou muito grato a Barnabé por ter livrado da superstição de Barjesus o pro cônsul Sérgio Paulo e convertê-lo ao Cristianismo. Este, por sua vez, me livrou do incômodo de ser chamado de Matusalém, o nome bíblico que contava com a simpatia de meu pai quando nasci.

Barnabé não somente passou pelos mesmos flagelos, perseguições, naufrágios e apedrejamentos que Paulo. Foi ele o grande conciliador entre a intransigência de Paulo e a pouca experiência de João Marcos, conservando este último consigo, quando o apóstolo dos gentios queria simplesmente descartá-lo: Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se. Então, Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre. (15.39)

O que prevalece para o ministério pastoral de hoje, é que tanto Paulo quanto Barnabé, que tudo era seu deu à Igreja, nada recebiam pelo seu. Trabalhavam como profissionais liberais para não serem pesados a igreja alguma. E isso sim, os enchia de imenso orgulho: Será que nas minhas viagens eu não tenho o direito de levar comigo uma esposa cristã, como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor Jesus e também Pedro? Ou será que Barnabé e eu somos os únicos que temos de trabalhar para nos sustentar? (ICo 9.5s)

Que me perdoem os valorosos guardiões da mais autêntica tradição reformada no Brasil, mas se não podemos chamar esse homem de santo, a quem vamos chamar então?


Barnabé, homem de Deus
Guilherme Kerr
Não fica bem a gente passar bem e o outro carestia,
Ainda mais quando se sabe o que fazer e não se faz.
Como fruto do amor de Cristo,
Fruto do seu compromisso,
Vendeu um homem o que tinha e repartiu.

Era o seu nome Barnabé, natural de Chipre,
Também chamado de José da Consolação,
Homem bom e piedoso, cheio de temor e fé,
Homem de Deus.

E quando Saulo converteu-se a Cristo lhe faltou amigo,
Alguém que fosse companheiro, fonte de consolo e abrigo.
Como fruto do amor de Cristo,
Fruto do seu compromisso,
Foi um homem procurá-lo, dando-lhe a mão.

E quando a igreja se espalhou por todo canto que havia,
Por providência, sim, por mão de Deus chegou a Antioquia.
Precisando de um pastor de almas,
Mesmo de um pastor de homens,
Foram procurar aquele que Deus preparou.

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