Sob pressão

Herodes ficou muito triste, mas, por causa do juramento que havia feito na frente dos convidados, não pôde deixar de atender o pedido da moça. Marcos 6.26
João Batista e Herodes, Pieter Grebber
Texto baseado em sermão do rev. Garrison.

Quando os pais exigem que o futuro profissional do filho seja uma consequência natural do trabalho deles independentemente da vontade do filho, a pressão sobre o rapaz pode se tornar insuportável. Quando o marido chega à conclusão de que nada agrada a sua mulher e que tudo o que faz é insatisfatório, sua vida se torna uma pressão constante. Quando a secretária sente que tudo no escritório a faz enlouquecer, é porque tudo que requer sua máxima e exclusiva atenção em todo tempo, o ambiente de trabalho fica a ponto de explodir. Quando um membro de igreja imagina que tem todas as respostas sobre a fé e tenta converter todos ao seu ponto de vista, ele exerce uma pressão forte para tornar as pessoas iguais a si. O jovem pastor confessou desabafou: existem tantas vontades na minha congregação que não tem como agradar a todos. Todos querem me moldar à sua vontade, e isso me deixa sob intensa pressão.

Todas essas pessoas estão sofrendo pressão que vem dos outros. Todos temos um tolerância para suportar as pressões que a vida exerce sobre nós. Horários, as responsabilidades, as necessidades, mas estas pressões são diferentes da pressão de outra pessoa, e todos nós temos em maior ou menor escala esta pressão que vem dos outros. O problema é que a pressão dos outros revela a nossa própria incerteza. Expõe a ambivalência que existe dentro de nós. Por causa dos outros nós somos forçados a fazer e a dizer coisas que não queremos dizer ou fazer. No final nós não gostamos de nós mesmos, justamente pelo fato de nos deixarmos controlar pela força de coação deles.

O que mais se ouve em um ambiente de trabalho é a seguinte frase: eu não trabalho sob pressão. Mas o que muitos de nós não sabem é que somos nós mesmos quem criamos essa pressão. Nós igualmente fazemos força sobre a vontade das outras pessoas para fazer, para reagir, para cumprir e apara se conduzir conforme os nossos valores e desejos. Para conseguir isso usamos a nossa personalidade, a persistência, a influência e tudo mais que seja preciso para impor a nossa vontade. O pior de tudo é que estamos sempre achando que fazemos isso pelo bem deles. O pastor deve ser o craque nesse assunto, porque de cima do púlpito não faz outra coisa senão apontar, denunciar, exigir e repreender. E o faz usando os mais variados recursos: gritos, intimidação, medo, silêncio, beiço, ameaças e excomunhão.

Tudo isso é a negação do nosso ser, a frustração, o cerceamento da liberdade. É o preço de querermos ganhar a aprovação de todos e a popularidade, mas é um preço alto demais. Herodes que o diga, pois vivia sob intensa pressão, tanto do Império Romano, como das pessoas à sua volta. Nosso texto bíblico é um texto patético. Vamos vê-lo de novo: Herodes ficou muito triste, mas, por causa do juramento que havia feito na frente dos convidados, não pôde deixar de atender o pedido da moça.




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