Quem contará às crianças?

Lembro da sua fé sincera, a mesma fé que a sua avó Lóide e Eunice, a sua mãe, tinham. E tenho a certeza de que é a mesma fé que você tem. II Timóteo 1.5
Lóide, Eunice e Timóteo, Tim Ashkar
Meditação baseada em sermão do rev. Willian Garrison.

Texto muito simples, dá até para dormir de tão trivial. Texto que um pregador da prosperidade nem toma conhecimento, ele não tem a narrativa de um milagre sequer. Texto que os fundamentalistas ferrenhos também ignoram. Claro, não fala de demônio. Também os pregadores moderninhos com suas filosofias e pensadores modernos também não dão muita atenção, pois ele não traz qualquer pensamento filosófico a ser discutido. Isso aí: nada de conflitos com forças malignas, nada de confrontação com pessoas de outra religião. Também não tem um grande personagem bíblico, somente Eunice, Loide e Timóteo. Então, por que está na Bíblia?

Penso que precisamos lê-lo novamente, porque a sua importância se revela silenciosamente. Nós não percebemos o valor do que está escrito aqui até nos darmos conta de que ele fala da importância e da maravilha que é a educação cristã. Nele encontramos uma coisa rara até mesmo nas igrejas de hoje: três gerações de fé e a garantia da sua continuidade. Lembro da sua fé sincera, a mesma fé que a sua avó Lóide e Eunice, a sua mãe, tinham. E tenho a certeza de que é a mesma fé que você tem.

Outra coisa importante no texto é que Timóteo morava na cidade de Listra, cidade que um dia Paulo e Barnabé curaram um homem que tinha nascido paralítico. Quando o povo viu o que Paulo e Barnabé fizeram começaram a gritar o seguinte: os deuses chegaram em forma de homens. Imediatamente quiseram fazê-los deuses, então deram a Paulo o nome de Mercúrio e a Barnabé chamaram de Júpiter. Tanto Paulo quanto Barnabé rejeitaram essa honraria e se declaram homens iguais eles. Podemos imaginar a confusão que isso deu. Podemos ler isso no capítulo 14 do livro dos Atos dos Apóstolos.

Uma das cenas mais engraçadas que vi no cinema foi do filme Os caça fantasma. Eles subiram na cobertura de um prédio onde tinha uma tal divindade aterrorizando a cidade. E essa divindade perguntou a eles se eles eram deuses. Quando eles disseram que não eram deuses ela jogou um raio que quase matou todo eles. Nos escombros alguém disse para o que tinha dado aquela resposta: da próxima vez que perguntar se nós somos deuses você diga que nós somos

Não são deuses? Então pau neles! Pois é, foi essa confusão os inimigos de Paulo, de cidades vizinhas e que estavam em Listra, fizeram para incitar a multidão contra eles. Queria, que o povo os apedrejassem e os colocassem para fora da cidade semimortos. Podemos ler isso em Atos dos Apóstolos 14.

Isso impressionou muito um jovem chamado Timóteo. Mesmo assim, Paulo não creditou a conversão do rapaz à fé cristã como um resultado positivo do seu infortúnio, mas sim pela fé transmitida pela sua avó Lóide e pela sua mãe Eunice. Paulo deu crédito a um lar temente a Deus. O texto é importante por isso também, porque permite que se avalie uma experiência sem que tenhamos que experimentá-la.

A nossa vida não consiste apenas em viver experiências, temos a capacidade e necessidade de avaliar essas experiências também. Aquele acontecimento mais importante da minha vida realmente me marcou? Um dado acontecimento foi muito importante, enquanto aquele outro não foi? Estamos sempre fazendo isso não somente conosco, mas com toda a História. Então, vamos tentar fazer o mesmo com o nosso texto bíblico de hoje.

Vivemos em um mundo de problemas colossais: inflação, corrupção, recessão econômica, guerras, terrorismos, crianças morrendo de desnutrição, injustiça, criminalidade, desemprego, isso só para falar de alguns. Num mundo assim, a tentação do povo de Deus é esquecer um pouco dos problemas do lar e lançar-se ferozmente contra essa nuvem de iniquidades. Em nome de Jesus temos que combater tudo isso. Temos que fazer valer a justiça do Reino que Jesus veio anunciar. Nenhuma semana começa sem que já saibamos de antemão qual é a carga que teremos que suportar e contra quais males deveremos lutar. Tudo isso é válido, porém, o que acontece no lar é de suma importância e é muito mais inestimável: a transmissão da fé; a reprodução da mesma espécie espiritual. Paulo agradecia a Deus pela fé sincera de Timóteo e ao mesmo tempo se lembrava das experiências de fé que uma mãe que contava à sua filha e que esta repassava ao seu filho.

Quem contará às crianças? Essa é uma pergunta propícia para um dia em que a maioria de nós se prepara para ir com a família a uma igreja. Surgirão, é claro, vários interesses quando estivermos frente a frente com as pessoas que professam a mesma fé que professamos. Alguns estarão tentando aplicar da melhor maneira possível a fé cristã ao seu cotidiano. Outros estarão procurando um meio de expressar essa fé. Outros mais tentarão defini-la para si, lutar por ela ou mesmo compreendê-la. Mesmo que estejamos firmemente comprometidos com uma ou com algumas dessas situações, a pergunta ainda permanece: quem contará às crianças?

Parece que voltamos ao tempo das Cruzadas onde todo mundo quer pegar em armas e derrotar o mal. Enquanto estamos contestando, discutindo, reafirmando ou descobrindo uma nova fronteira da fé, a questão somente se agrava: quem contará às crianças? Por tudo isso é que Deus tem criado uma igreja totalmente nova a cada vinte anos. Então, o que vamos fazer com tudo que fazemos? Terá alguma utilidade se negligenciarmos as crianças? É certo que elas não se tornarão cristãs automaticamente, então, quem as contará as coisas de Deus? Veremos algumas possibilidades na continuação desta meditação.



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