O que é CONSCIÊNCIA? II

Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. Tito 1.15)

Pedro e visão do lençol, Henry Davenport
Enquanto a lei judaica impõe à consciência a escolha entre uma comida e outra, entre uma festa e outra, entre um gesto e outro, a liberdade cristã nos assegura que para o cristão tudo é puro, tudo é lícito e tudo é permitido. É pela fé que o home adquire a consciência que o faz reconhecer a bondade é inerente a todas as criaturas de Deus: Vocês podem comer de tudo o que se vende no açougue, sem terem nenhuma dúvida de consciência. Pois, como dizem as Escrituras Sagradas: “A terra e tudo o que nela existe pertencem ao Senhor.” Se alguém que não é cristão convidá-los para comer, e vocês resolverem ir, comam o que for posto na frente de vocês e não façam perguntas por motivo de consciência. (I Co 10.25ss)


O cristão que tem uma consciência esclarecida encontra-se liberto frente às prescrições de qualquer lei, rito ou dogma, pois ele entende e crê que “Onde está o Espírito do Senhor, ali está a liberdade”. Não uma liberdade que é pura e simplesmente do indivíduo, mas que se avulta na medida em que é plenamente independe do julgamento de uma consciência alheia. É desta forma que o cristão, em um modo bastante específico, se torna um estoico, porém, dentro de limites que precisam ser muito bem precisados.

Embora Paulo afirme categoricamente que tudo é permitido, ele imediatamente ressalta que não são todas as coisas que se prestam à edificação da igreja. A liberdade de consciência pode e deve ser individual, mas o processo de edificação tem que abranger necessariamente todos os membros da comunidade. É sabido que nesta comunidade de libertos pode muito bem haver conflitos entre consciências que não evoluíram igualmente na mesma proporção. Pode ser que, na visão de alguns cristãos, certos alimentos sacrificados a ídolos ou certas atitudes oriundas do paganismo, continuem sendo impuras. Portanto, para não ferir a frágil consciência destes irmãos ou irmãs, o cristão mais esclarecido deve fazer todo o possível para não aviltar a consciência daquele que ainda não alcançou o seu grau de consciência. Não vá com a tua comida ou bebida fazer com que se perca aquele por quem Cristo também morreu: Se você faz com que um irmão fique triste por causa do que você come, então você não está agindo com amor. Não deixe que a pessoa por quem Cristo morreu se perca por causa da comida que você come. Não deem motivo para os outros falarem mal daquilo que vocês acham bom. (Rm 14.15s) Tudo é puro e bom, sem dúvida, mas se torna impuro e mau quando representa motivo de queda. Paulo escreveu o capítulo 13 de I Coríntios para deixar bem claro que toda consciência, fundamentada na fé em Cristo, deve se render antes ao amor fraterno do que propriamente ao seu grau de esclarecimento.

A consciência também deve por limites à liberdade em razão da presença divina que lhe dá sentido. “Eu posso fazer tudo que quero”, retomou Paulo continuando a falar aos coríntios, e acrescentou: “Mas não vou deixar que nada me escravize”. Quem se une espiritualmente ao Senhor, se torna uma só pessoa com ele. Por esta simples razão o cristão não pode unir o seu corpo a o de uma prostituta, pois, embora livre, o corpo não lhe pertence, é usado por Deus como seu templo, uma vez que lhe foi oferecido em sacrifício. A consciência e a liberdade estão, deste modo, limitadas por alguém que inicialmente me aparece como um outro que não sou eu, mas que, pouco a pouco, se revela através da fé como aquele que me fazia falta, mas que agora, na verdade, me completa e me faz ser uma pessoa inteira. (continua)

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