Depois do temporal

Elias no monte Horeb, Danielle de Volterra (1509-1566)
Existe pouca coisa a fazer durante um temporal, porém, o que não falta é coisa para se fazer depois que ele passa. O temporal é o espaço de tempo que divide a inoperância da hiperatividade. Essa pode até ser uma boa definição para esse fenômeno da natureza. Seria possível usarmos esta mesma definição para explicar os temporais que vez por outra acontecem na nossa vida? Diferentemente dos temporais naturais, os temporais pessoais são quase sempre acompanhados por um período de atividade muito intensa, e que tente a crescer à medida que ele avança para o seu clímax, restando depois apenas a inatividade. Parece que ainda não aprendemos nada com os fenômenos da natureza.

Em nossos temporais esgotamos todas as energias numa luta, quase sempre inglória contra forcas que são muito superiores às nossas. Sem querer ser arrogante na tentativa de ensinar formas de conduta, gostaria de estabelecer que esta meditação vem ao encontro de uma necessidade pessoal momentânea, e que antes de falar a vocês, falo a mim primeiro. O intuito é de tentar descobrir nas Escrituras, o ensinamento contido nas experiências dos homens que verdadeiramente andaram com Deus, e tentar se valer do que elas podem nos ajudar hoje.

De saída, eu imagino que o momento conturbado que viveu profeta Elias pode nos servir de exemplo. Elias viveu em um dos períodos mais dramáticos da historia de Israel. Na sua missão profética de expurgar a idolatria do meio do seu povo, teve pela frente nada menos do que Jezabel, uma princesa fenícia que se instalou no palácio por conta de uma aliança política mal engendrada pelo rei Acabe. Segundo nos faz crer o texto bíblico, ela não veio só, mas acompanhada de uma comitiva de mais de mil pessoas (IRs 18.19), sendo que a maioria era de sacerdotes dos deuses que ela cultuava em sua terra natal, os mesmos deuses que Elias se opunha energicamente, afirmando serem falsos.

Jezabel, por si só, era uma mulher carismática, detentora de uma determinação nas suas convicções religiosas absolutamente fantástica e dificilmente comparada a qualquer herói da fé celebrado no Primeiro Testamento. Com a sua personalidade forte, praticamente reinava em lugar do seu marido, e em nome da sua religião, iniciou uma caça frenética aos profetas de Israel, inconformada, apesar de tê-los matado um pó um, não escondia o seu desejo de ter como prêmio maior a cabeça de Elias.

Era esse o temporal de Elias: ter como rainha uma mulher pagã com sede se sangue, ver os seus companheiros do profetismo sendo caçados e mortos, sentir-se sozinho e abandonado, imaginando ser o último dos fiéis a um Deus que estava sendo humilhado na terra que havia dado por herança ao seu povo por um bando de deuses vindos sabe-se lá de onde. Numa tentativa desesperada, reúne o povo no monte Carmelo ousa desafiar o segundo escalão da idolatria em Israel, os sacerdotes da rainha, a sacerdotisa primaz. Ainda que lhes tivesse impingido uma fragorosa derrota, sentiu que o seu temporal estava longe de acalmar.




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