A mensagem da estrela

Adoração dos magos, Andrea Mantegna
Leiam Mateus 1.1 a 2.14 

O coração da mensagem do evangelho é a imagem de um Deus que age. Esta é também a mensagem da Bíblia toda, que diz que a iniciativa de todos os eventos pertence a Deus. A mensagem é esta: Deus estava em Cristo Jesus, e através deste fez o mundo conhecer a sua vontade, que é agir de antemão para redimir todo o mundo. Geração após geração o ser humano tentou cruzar o abismo que o separava do seu Criador. O abismo criado pela nossa rebeldia em permanecermos separado dele. Todos os seres humanos tem a concepção de uma consciência superior que habita em um lugar desconhecido. Então, como podemos nos comunicar com este ser? Ele parece estar tão longe e parece ser tão diferente de nós que fica difícil entendê-lo, e até mesmo falar com ele. Aí está o centro da mensagem cristã: Deus fez algo para resolver este problema. Deus colocou uma ponte para cobrir a torrente tumultuada da história e sobre a inconsequência da natureza humana que preenchia a distância entre nós e ele. Ele é quem tomou a iniciativa para chegar até nós. Deus nos tem dado um sinal. Deus nos tem dado a mensagem de que ele nos ama, que ele nos quer de volta. Em Cristo ele nos dá a mensagem de que ele está conosco.

Nós não somos mais perdidos, distantes e nem sozinhos, mas agora nós somos salvos. Na verdade, ele sempre quis dizer isso para uma humanidade que sempre achou que ele nos quer mal, que ele quer nos castigar e nos mandar para o Inferno. Para nós que sempre achamos que Deus é contra nós, Deus fez todo o possível para mostrar que ele é por nós, a prova disso é o Natal, que nos mostra o caminho da liberdade e da responsabilidade. Deus quando enviou a estrela de Belém para guiar os magos, quis muito mais que mostrar a eles o caminho até o Salvador. Com esta estrela ele determinou também o fim da magia, o fim do poder dos magos, dos feiticeiros, dos agoureiros e dos adivinhos sobre a humanidade. Ainda hoje nós podemos observar um pouco do que era esse poder. Até o nascimento de Cristo, as religiões do mundo, principalmente as religiões do oriente, tinham dominado a vida humana com uma mortalha de fatalismos. Tudo estava determinado e ao homem bastava apenas seguir o que havia sido traçado para ele. A crença predominante é que o destino de todas as pessoas estava previamente escrito nas estrelas na hora do seu nascimento. E esta crença ainda existe entre nós. Basta abrir um jornal e ler o que alguém vai lhe dizer como será o seu dia e o seu destino baseado no seu horóscopo. É a crença que as nossas vidas são manipuladas por forças além do nosso controle. É a negação da nossa liberdade e da nossa iniciativa.

Foi justamente num mundo assim que a estrela de Belém brilhou. Ela não foi uma estrela qualquer que teve um dia de esplendor além da sua normalidade. Ela não fez o que estava escrito para ela fazer, mas fez o que o Deus Eterno mandou que fizesse naquele dia, naquela hora. Ela não estava no céu por um mero acaso, mas sim guiada pela sabedoria e pela providência divina. O seu brilho exuberantemente anormal veio revelar que a nossa dependência das estrelas e dos planetas simplesmente acabou de repente. De repente a estrela revelou Deus como único soberano sobre os dois mundos: o das estrelas e planetas e do mundo dos homens. Como consequência disso nós somos libertados da escravidão fatalista e supersticiosa pela iniciativa de um Deus que age antecipadamente em nosso favor.

Nesta liberdade ele está sempre nos guiando à responsabilidade. Sempre somos chamados a ir onde nós não queremos ir. Vocês acham que os magos imaginavam que um rei nasceria em um lugar que não fosse um palácio? Essa é a mensagem da estrela mais difícil de entender: Deus nos guia aonde nós não queremos ir. Um exemplo disso é quando chegamos à igreja com o nosso idealismo em louvar a Deus e ouvir um belo sermão, mas cedo ou tarde vamos entender que a estrela está nos guiando para o lugar onde o povo sofre, onde está preso, onde está faminto. O texto de Mateus é bem diferente da realidade de Lucas. Ele mostra pessoas iguais a nós, pessoas como os magos, que andavam tropeçando nas suas crendices, nas suas convicções e nos seus idealismos. Nós, assim como os magos, somos usados apesar de todas as nossas imperfeições, tudo porque vimos aquela estrela. Ela nos tem guiado, apesar de tudo que somos, até às nossas responsabilidades. Ela nos tem guiado ao coxo infectado e sujo, e não aos palácios.

A estrela brilha para nos mostrar a realidade deste mundo, e para mostrar que o nosso caminho é outro muito diferente do que aquele que gostaríamos que fosse. A mensagem da estrela nos diz que somos livres, está certo, mas que esta liberdade tem o preço e o tamanho da nossa responsabilidade.

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