Conversão de verdade I

Caminho de Emaús, Lelio Orsi(1508-1587)
E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras? E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles, Então, os dois contaram o que lhes acontecera no caminho e como fora por eles reconhecido no partir do pão. Lc 24,32-33 e 35

Não faz muito tempo, ouvi um inspiradíssimo sermão do rev. Ed Rene Kivitz sobre experiências catafáticas e apofáticas. Como estas eram palavras eu só havia ouvido no período em que fiz seminário, e por se referirem a temas bastante atuais, procurei investigá-las para ver se tinham voltado à moda. Encontrei no blog Cristão Confuso o material de uma pessoa que assinava como Zé Luís, que fazia uma abordagem deste mesmo tema a partir de um filme de 1985, rodado aqui com o título de Feitiço de Áquila.


Ambos os autores falavam das duas experiências comuns em nossos cultos dominicais: a experiência catafática, que está associada à experiência do aprendizado, de onde vem a palavra catecismo, e da experiência apofática, que descreve uma experiência sensorial impossível de ser descrita ou transmitida. A grosso modo são textualmente essas as experiências que um culto, seja ele cristão ou não, pode provocar em nós.

O texto dos caminhantes de Emaús trata com riqueza de detalhes essas duas manifestações, dando-lhes a dimensão exata de uma real experiência com Deus para que apliquemos na nossa vida, como também na vida de nossa igreja. Ele detalha o verdadeiro caminho da conversão em todas as suas fases, e quando falamos em conversão não estamos somente falando da primeira conversão ou daquelas que muitos chamam de a primeira experiência com Deus. O texto trata também da conversão diária, da resposta ao desafio, da mudança de mente que a conversão precisa provocar em nós. Para uma melhor compreensão, precisaremos separar o episódio em capítulos e analisá-los um a um, conforme a importância que eles conferem ao texto.

Decepção e vazio
O estado em que Jesus encontra os caminhantes de Emaús retrata muito bem o sentimento de perda e abandono em que nos encontramos sempre que uma situação adversa nos assalta. Eles haviam perdido o seu guia espiritual, daquele que durante três anos pacientemente os ensinara a grandeza do amor de Deus e a qual deveria ser a resposta a esse amor, sucumbira ante ao poder do mal. Eles, assim como nós, estavam contabilizando mais uma derrota, mais uma decepção e mais uma vez o vazio tomava conta do coração. E nós pensávamos que era ele quem iria redimir Israel. 




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