Jugo desigual

 “...não permitirás que os teus animais se ajuntem com os de espécie diversa” Lv 19.19
 “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos...” IICo 6.14
Sísifo de Ticiano (1473/1490 - 1576)
O texto do Levítico mostra a preocupação com os animais que estavam a serviço do homem. O preceito tinha por finalidade coibir o uso de parelhas de animais de espécies diferentes, onde o mais forte pudesse oprimir ou mesmo matar o mais fraco. Por outro lado, no seu texto, Paulo resgata este estatuto para aplicá-lo às relações humanas, principalmente entre os membros das igrejas por ele assistidas e o povo pagão.Como argumento, usa a incompatibilidade das relações do mundo natural, em contraste com as do mundo sobrenatural, que deveriam servir de exemplo.

Justiça x Impiedade
Luz x Trevas
Cristo x Beliar (O Anti-Cristo)
Fiel x Incrédulo      
Deus x Ídolos.

Paulo quer deixar claro o seu repúdio ao avanço de práticas e doutrinas pagãs no seio da igreja, mostrando que relações diferentes neste nível sufocariam a neófita igreja, o que levaria o rompimento com o seu fundador, ele, Paulo. Convém ressaltar que a prescrição não proíbe o contato dos cristãos com os pagãos, e sim de formar um relacionamento parelho, que possa assim configurar o jugo desigual. O preceito emprestado do Levítico previne contra parelhas que são formadas a partir de elementos de potencialidades diferentes, fato que inevitavelmente é prejudicial ao mais fraco.

Mas, como acontece com a maioria dos textos bíblicos, cada um faz a leitura que lhe convém, reduzindo a abrangência da mensagem a casuísmos mesquinhos. Assim como aqueles detectam o jugo desigual na união conjugal de jovens cristãos, principalmente moças, com rapazes das demais religiões. Alguns chegam a afirmar que o cristão que se casa com um não cristão, leva o próprio diabo para dentro de casa. Uma afirmação por demais infeliz, jamais sugerida ou sequer pensada pelo apóstolo. Suas igrejas eram basicamente compostas por pessoas cujas famílias permaneciam nas suas crenças de origem. Era muito raro encontrar uma família cujos membros era todos cristãos. Paulo não seria inconsequente a ponto de causar tamanha desestabilização familiar. No que diz respeito a este fato, bem frequente na igreja de Corinto, ele faz uma recomendação bastante contrária: “se um homem cristão é casado com uma mulher que não é cristã, e esta consente em continuar vivendo com ele, - ou vice-versa - que ele não se divorcie dela” (I Co 7,12-13). Paulo via com bons olhos esta união, desde que consentida por ambos, porque o cônjuge cristão se tornaria o canal de bênçãos, não somente para o não cristão, como para todo o lar, inclusive os filhos.




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